A inteligência artificial está a acelerar mudanças que ultrapassam largamente a adoção de novas ferramentas. Está a transformar funções, processos, modelos de colaboração, necessidades de talento e até os critérios utilizados pelas organizações para tomar decisões estratégicas.
Esta é uma das principais conclusões do Future of Work Survey 2026, da JLL, que reuniu as perspetivas de mais de 2.200 líderes empresariais e responsáveis pela gestão de espaços de trabalho, em 21 países. O estudo revela que 78% dos líderes reconhecem que a inteligência artificial terá um impacto significativo nas suas organizações nos próximos três a cinco anos. Contudo, apenas 15% afirmam já se encontrar numa fase avançada de implementação e otimização desta tecnologia, demonstrando que existe ainda uma diferença significativa entre reconhecer a mudança e estar preparado para a concretizar.
Para os membros do CMEA, esta diferença é particularmente relevante. Ela mostra que o desafio do futuro do trabalho não se resume à adoção de inteligência artificial. Exige capacidade para antecipar necessidades, desenvolver novas competências, apoiar processos de adaptação e construir relações mais próximas entre instituições de ensino superior, estudantes, alumni e empregadores.
O estudo apresenta uma visão globalmente positiva sobre a evolução do emprego. A maioria das organizações antecipa um crescimento líquido do número de trabalhadores nos próximos três a cinco anos, embora reconheça que a composição das equipas e o conteúdo das funções irão mudar significativamente.
Cerca de 60% dos líderes consideram mais provável que a inteligência artificial redesenhe funções humanas do que as elimine. Uma percentagem semelhante prevê um aumento da força de trabalho, sobretudo nas organizações que estão mais avançadas na adoção desta tecnologia.