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Artigo2026

Como trabalhar o personal branding com os estudantes e diplomados

Por CMEA
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Portugal tem hoje pleno emprego. Os estudantes e diplomados encontram trabalho, mas nem sempre o trabalho certo, no momento certo, ou com a valorização que o seu percurso justificaria. Uma parte significativa desse problema não está nas competências, está na visibilidade.

Os gabinetes de empregabilidade e alumni estão numa posição única para intervir aqui. Conhecem o percurso dos estudantes e diplomados, conhecem o mercado local, e têm o contexto certo para trabalhar algo que muitos jovens profissionais ainda resistem a fazer: comunicar intencionalmente quem são e o que sabem fazer.

Este artigo propõe uma abordagem prática para trabalhar o personal branding em contexto de gabinete, desde a primeira conversa até aos elementos concretos que um estudante ou diplomado deve desenvolver.

O que é o personal branding

Personal branding é a forma como um profissional é percebido por quem ainda não o conhece. É o conjunto de sinais que chegam a um recrutador antes de qualquer conversa: o perfil no LinkedIn, o que aparece numa pesquisa no Google, as recomendações de quem já trabalhou com essa pessoa, a forma como se apresenta numa candidatura.

Não se trata de criar uma personagem. Trata-se de tornar visível o que já existe, de forma intencional e consistente.

Um estudante ou diplomado pode ser muito respeitado na instituição, ter excelentes referências de professores e colegas, e mesmo assim ser completamente desconhecido para os recrutadores que mais lhe interessam. A reputação é o que as pessoas que já nos conhecem pensam de nós. A marca pessoal é o que comunicamos a quem ainda não nos conhece. São dois trabalhos diferentes, e o segundo raramente acontece por acaso.

O objetivo é garantir que o percurso que já existe chega a quem precisa de o conhecer.

O que bloqueia os estudantes e diplomados e como trabalhar isso em sessão

A resistência ao personal branding raramente é preguiça ou falta de interesse. É quase sempre uma de três coisas.

«Não tenho nada para mostrar.» É o bloqueio mais frequente, especialmente em estudantes e diplomados sem experiência profissional formal. O trabalho aqui é ajudá-los a reconhecer o que já existe: projetos académicos, trabalho voluntário, experiências extracurriculares, competências desenvolvidas em contextos informais. O percurso já é matéria-prima. Falta estruturá-lo e torná-lo visível.

«Não me sinto confortável a falar de mim.» Este bloqueio tem raízes culturais e é particularmente frequente em Portugal. A questão não é forçar uma postura que não é natural, é encontrar o formato certo para cada pessoa. Alguns estudantes e diplomados comunicam melhor por escrito, outros em vídeo, outros através da rede de contactos. Personal branding não tem um formato único.

«Não sei o que me distingue.» Quando um estudante ou diplomado não consegue responder à pergunta «o que te torna diferente», o problema raramente é que não se distingue. É que nunca foi convidado a pensar nisso de forma estruturada. Uma das intervenções mais valiosas que um gabinete pode fazer é precisamente essa: criar o espaço e as perguntas certas para que essa reflexão aconteça.

Como estruturar a abordagem em sessão

O personal branding não se trabalha com uma sessão de informação. Trabalha-se com perguntas que criam desconforto produtivo, aquele momento em que o estudante ou diplomado percebe que não sabe responder a algo que devia saber sobre si próprio.

O ponto de partida mais eficaz é confrontar o estudante ou diplomado com a sua visibilidade atual, não com o que deveria ser, mas com o que é agora. «Se um recrutador pesquisar o seu nome hoje, o que encontra?» é uma pergunta simples que raramente tem uma resposta satisfatória, e é precisamente esse incómodo que abre a conversa.

A partir daí, o diagnóstico orienta o trabalho. Há três situações distintas que pedem abordagens diferentes.

Quando o estudante ou diplomado não sabe o que quer comunicar, o trabalho é de clarificação. O que fez, para quem, com que resultado, o que o distingue de alguém com o mesmo curso e as mesmas notas. Ferramentas como a análise SWOT pessoal ou exercícios de identificação de valores podem ser úteis aqui, desde que não se tornem um fim em si mesmos.

Quando sabe o que quer comunicar mas não está a comunicar, o trabalho é de ativação. Rever o perfil do LinkedIn, estruturar uma bio, definir que conteúdos partilhar e em que plataformas. Nesta fase, pequenas vitórias rápidas têm um efeito desproporcional na motivação.

Quando está a comunicar mas não está a chegar às pessoas certas, o trabalho é de estratégia. Quem são os recrutadores e empresas relevantes para o seu perfil, onde estão, como se chega até eles, que rede faz sentido construir.

Em formato de grupo, um exercício especialmente eficaz é pedir a cada participante que descreva um colega com base no que conhece do seu percurso. O contraste entre como cada um se vê e como é visto pelos outros é quase sempre o momento mais revelador da sessão, e desbloqueia resistências que nenhuma explicação teórica consegue.

Os elementos que um estudante ou diplomado deve desenvolver

Depois do diagnóstico, o trabalho torna-se mais concreto. Estes são os elementos fundamentais de uma marca pessoal consistente, e podem ser trabalhados progressivamente, sem exigir que tudo aconteça ao mesmo tempo.

Clareza sobre a proposta de valor. O que faz este estudante ou diplomado, para quem, e com que resultado. Uma resposta clara a estas três perguntas é a base de qualquer comunicação eficaz e o ponto de partida para tudo o resto.

Presença no LinkedIn. Continua a ser a plataforma central para a grande maioria das áreas profissionais em Portugal. Um perfil completo e atualizado não chega: é a atividade regular, as partilhas, os comentários, as recomendações pedidas e dadas, que constroem visibilidade ao longo do tempo.

Uma voz própria. Partilhar perspetivas sobre a área, comentar tendências, contar experiências concretas. Não é necessário produzir conteúdo elaborado. É necessário aparecer com consistência e com algo genuíno para dizer.

Uma rede construída com intenção. Muitas ligações genéricas valem menos do que poucas ligações certas. Ajudar o estudante ou diplomado aidentificar quem deve conhecer, em que contextos, e como se apresentar, é uma das intervenções mais práticas e com impacto mais imediato.

Coerência entre o online e o presencial. A marca pessoal não existe só no digital. A forma como o estudante ou diplomado se apresenta em entrevistas, eventos e conversas informais deve ser consistente com o que comunica online. Inconsistência gera desconfiança, mesmo que subtil.

Para terminar

O personal branding não é uma tarefa com início e fim. É uma prática que evolui com o percurso, e que precisa de ser revisitada sempre que esse percurso muda de forma significativa.

O valor que os gabinetes de empregabilidade e alumni trazem a este trabalho não é entregar ferramentas ou explicar conceitos. É criar o espaço certo para que cada estudante ou diplomado perceba o que tem para comunicar, e encontre a sua própria forma de o fazer. Esse acompanhamento, feito no momento certo, tem um impacto que vai muito além da primeira colocação.

Este artigo foi adaptado do Guia do Primeiro Emprego, disponível no site do CMEA. Na sua elaboração foram utilizadas ferramentas de inteligência artificial de apoio.